A PSP foi abandonada à sua sorte há mais de 20 anos.
Nunca houve, de facto, interesse em proteger o activo mais valioso do país, a segurança interna.
1. Faltou investimento sério na infraestrutura, a maioria das instalações são inadequadas e obsoletas.
2. Desde sempre faltava todo o tipo de meios, até os mais simples, tonner, papel, esferográficas, computadores, impressoras, papel higiénico, sabão, coletes reflectores, coletes balísticos, fitas de sinalização, nunca houve sequer uma verdadeira unidade de logística profissional; (é muito complicado e difícil gerir uma casa onde impera a "falta de pão" falta tudo.
2. Falta crônica de meios auto operacionais, falta combustível, falta garagens, faltam oficinas. O melhor seria substituir todos os veículos aos 100.000km dado o tipo de uso operacional de enorme desgaste permanente;
3. Os policias não têm, praticamente, qualquer apoio de retaguarda, alojamento, refeições, bares, ginásios, carreira de tiro, hospitais, centros de saúde, locais de convívio e lazer. Como é um serviço de 365 dias por ano, 24 horas por dia, causa um desgaste permanente a falta de sentido de pertença e do apoio de retaguarda para os profissionais e sua família. Estão entregues a si próprio e cada um por si.
4. A depauperação da importância relativa da profissão, nunca se viu um presidente da república, primeiro ministro, presidente da câmara, num momento crítico e de crise social de confronto ir apoiar os polícias e seus familiares, sair à praça pública em apoio à acção dos policias, tirar uma selfie com eles, tal como acontece com os criminosos, foras-da-lei, parasitas e seus familiares. Nunca se viu uma marcha activista para defender a polícia, um polícia, o habitual é para criticar ou atacar a ação policial ou os polícias.
5. O permanente escrutínio da profissão, da actividade diária, minuto a minuto, por parte da população, dos turistas, dos foras-da-lei, rufias e parasitas, dos autarcas, dos políticos, da comunicação social, dos comentadores, das activistas, dos comerciantes, dos comerciantes, gera uma pressão gigante e inacreditável a qualquer um, que tem que reagir face ao momento da ocorrência inesperada, do ilícito, da contra-ordenação, do crime, da provocação, da confrontação, a sua ação é de decisão imediata intempestiva e sujeita ao escrutínio de investigação, análise e decisão sobre a conduta por dias, meses ou anos. Uma ação de um policia que não teve tempo para pensar face ao acontecimento relâmpago, tem a dissecação apurada e demorada dos investigadores, dos inspetores, da hierarquia, da tutela, dos políticos, da comunicação social comentadores e activistas profissionais em defesa dos direitos dos infractores, dos bandidos, dos arruaceiros, meliantes, rufias e do parasitas.
6. Qualquer voz para tentar defender quem procura ganhar a sua vida numa profissão de risco em defesa da legalidade e da paz social, com poucos meios, sem apoio de retaguarda, sem empatia da sociedade, essa voz é de imediato silenciada com intimidação, ameaça velada ou direta, com parangonas de abertura de notícias dos maiores analistas e especialistas de secretária, na segurança interna, qualquer profissional em representação é coagido a responder "politicamente correto" senão é silenciado, ostracizado, preterido, quartado na avaliação da meritocracia instalada.
7. Desde 1990 a PSP perdeu mais de 50% de importância relativa. Um Guarda de 2ª classe, início da carreira de polícia, ganhava mais 57% do que o início da carreira dos quadros permanentes das forças armadas, (na Marinha era o 1º Marinheiro). Hoje um 1º Marinheiro começa a carreira no nível 9 e o Agente da PSP começa a carreira no nível 8 da tabela única remuneratória;
8. Em 2017, o governo entendeu alterar a fórmula de cálculo da reforma, fez legislação para salvaguardar direitos dos GNR e FA, esqueceu-se da PSP. O que se tem verificado é que, devido a isso, os PSP têm ido para a aposentação com menos 25% de reforma do que os seus homólogos da GNR e FA. Por exemplo os Intendentes (equiparados a Tenentes-coronel, 3º patamar mais alto na carreira de oficial da PSP) são reformados 5 anos mais tarde que os da GNR e FA, e levam menos 500€ que os seus homólogos, ficam com valor idêntico aos Sargentos-chefe da GNR e FA (5 postos abaixo na hierarquia) o mesmo se passa em todos os postos das 3 classes, [agentes/guardas, chefes/sargentos e de oficiais]. Ora esta discriminação e injustiça gera uma situação inédita de mal estar, de perda de confiança, de desvalorização, de indignação, de revolta, de raiva, de descrédito, de abandono, de angústia insuportável. Como é possível que o legislador, o Presidente da República, o Governo Português, o 1º Ministro, o Ministro MAI, permitam esta grave ofensa à dignidade da instituição PSP, dos seus homens e mulheres que serviram Portugal na segurança interna e ao fim de mais de 40 anos vêem ser prejudicados na sua reforma em mais de 500€ mensais relativamente aos seus homólogos da GNR e FA. É inconstitucional, é ilegal, é humilhante, é desumano, é absolutamente incompreensível, injusto e revoltante.
9. Por aqui se vê a força de quem quer destruir a segurança interna, quem quer menorizar a polícia de cariz civil, a polícia que tem sindicatos. Ao diminuir, menosprezar, achincalhar, desvalorizar os profissionais da PSP, estão a dar sinal que não admitem que as forças de segurança tenham sindicatos, que tenham direitos.
10. O velho do jardim diz que quem quer que diga o óbvio, será silenciado e perseguido.
Ass. JET - Já É Tempo
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